segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Review 2 - Arctic Monkeys - "Humbug"



Se há uma banda que pode definir a vaga de Indie Rock Britânico desta primeira década do séc.XXI é os Arctic Monekys. Porque se no inicio todos queriam soar como os Libertines, agora todas querem ser iguais aos Arctic Monekys.
Não só foi a nível de sonoridade (que nem era particularmente original) que os rapazes se conseguiram impor num país controlado por NME´s, webzines e fanzines que tanto fazem hype de uma banda, como a destroem na semana seguinte. Eles conseguiram ser uma das primeiras bandas que ficaram verdadeiramente conhecidas a partir da Internet. E foi o Myspace e o file sharing que os levou a palcos generosos (Astoria e uma das prinicpais tendas do festival Reading/Leeds) mesmo antes de terem lançado o primeiro álbum de originais.
“Whatever People Say I am…” foi lançado em Janeiro de 2006 e tornou-se no álbum de estreia mais vendido de sempre na semana de lançamento em Inglaterra, com 360 mil cópias. O álbum seguinte, “Favorite Worst Nightmare” também seguiu o mesmo caminho, mas com uma ligeira mudança de sonoridade, para algo mais rápido e pesado. Nestes dois primeiros álbuns os AM cantavam sobre os problemas de adolescentes e faziam músicas que ficavam bem no dancefloor. Agora não.
O aviso já tinha sido lançado em "505”, a ultima faixa do segundo álbum e possivelmente uma das melhores já feitas pelos Monkeys. Muitos fãs estranharam, mas poucos imaginaram que essa seria uma sonoridade calma e instrispectiva que dominaria o álbum seguinte.
Produzido por Josh Homme no Rancho de La Luna (no fim do mundo californiano) e James Ford em Nova Iorque, “Humbug” levou os rapazes ao negrume que tanto desejaram, reclamando influências não só do pós-punk, do acid e stoner rock mas também do indie pop/rock caracteristico dos Last Shadow Puppets, desligando-se em parte do som que lhes deu a fama e os levou aos palcos do mundo inteiro.
Para quem já segue os Arctic Monkeys desde o inicio da carreira, tudo é estranho, tudo é diferente - Eles cresceram, e muito, de tal maneira que abandonaram as musicas punk em formato confissão pós adolescência para cantarem sobre as pequenas histórias da vida, num estilo seguido, entre muitos, por Morrisey e Jarvis Cocker. Nenhuma faixa é imediata e se não fosse a voz de Alex Turner, nem diríamos que pertencia à banda que nos deu “I Bet you look good on the dancefloor”. As guitarras são sinistras, fugindo à explosão de energia que caracterizaram os trabalhos anteriores, e os detalhes bem trabalhos, desde os coros até aos teclados, exigindo obrigatoriamente mais que uma simples audição.
Não podemos dizer que este é o melhor álbum, já que todos são bons dentro do seu género. Mas certamente todos recordarão “Humbug” como sendo o álbum que marcou a entrada na idade adulta e aumentou a abrangência do som da banda deslocando-se definitivamente da sonoridade anterior (o que é complicado para muitos grupos) e deixando em aberto uma enorme lista de possibilidades. Electrónica à la Bloc Party? New Prog com guitarradas indie? Só o futuro o dirá.
Os rapazes de Sheffield passaram com distinção na difícil prova do terceiro álbum e este certamente será um dos que vai figurar na lista dos melhores do ano, juntamente com os igualmente difíceis terceiros albuns “Tonight” (Franz Ferdinand) e “Its Blitz” (Yeah Yeah Yeahs). Mas esperemos até Novembro para ter a certeza…
Nota: 4/5


domingo, 23 de agosto de 2009

Review 1 - Calvin Harris - "Ready for the Weekend"



Já alguma vez ouviram um álbum que gostam, mas que não querem admitir aos vossos colegas e amigos, com medo de serem gozados ? Este é um desses casos. 

Calvin Harris em 2007 assumiu-se como criador do Disco. Mas se "I Created Disco" era aceitável nos anos 80 e um óbvio piscar de olhos à DFA, "Ready for the Weekend" é puros anos 90. Os ácidos, as calças largas, as cabeçadas à bola de espelhos, Ibiza...Tudo!

Imaginem-se a tomar uma boa dose de ácidos no meio de uma discoteca. Nessa trip, a discoteca transforma-se num estádio gigantesco, esgotado, com Harris no centro, juntamente com a sua banda. Nesse momento, começa a tocar a "Im Not Alone", a grande faixa de "Ready for the Weekend". Todos berram a parte inicial e quando começam as teclas, seguidas da batida, o estádio fica eufórico. No minimo.

Mas não só de "Im Not Alone" que vive num conjunto de 14. Quase todas as faixas tem capacidade para brilhar em qualquer local: Em casa, numa ida à Zara ou numa discoteca toda transpirada.

Em "Ready for the Weekend", embora seja dominante a sonoridade house, também se nota uma urgência pop desgraçada, e isso vê-se nos hooks kitsch criados por este produtor escocês, que evocam as batidas do inicio dos anos anos 90 e os grand-piano.

A duração (52:11), as letras (que no fundo até cumprem o seu papel), as faixas instrumentais (tentativa falhada de elevar o álbum a um nível mais sério) e a inserção de "Dance Wiv Me" (um dos grandes hits do Verão passado e que por muito boamque seja o tema, este não se insere na sonoridade no álbum) são os grandes handicaps e que por pouco que o ouvinte lhes ligue ,acabam por assombrar logo após a primeira audição.

Aqui não há espaço para inovação. No entanto é agradável ouvir algo sem grandes pretensões, mas que num ano tão bom em fornadas pop, rapidamente vai ficar esquecido. Especialmente quando muita gente se lembrar que os fãs do Bob Sinclair, do Guetta, do Basshunter e do Tiesto até podem gostar disto. Eu não tenho nenhum problema com isso.

Nota: 3/5