Se há uma banda que pode definir a vaga de Indie Rock Britânico desta primeira década do séc.XXI é os Arctic Monekys. Porque se no inicio todos queriam soar como os Libertines, agora todas querem ser iguais aos Arctic Monekys.
Não só foi a nível de sonoridade (que nem era particularmente original) que os rapazes se conseguiram impor num país controlado por NME´s, webzines e fanzines que tanto fazem hype de uma banda, como a destroem na semana seguinte. Eles conseguiram ser uma das primeiras bandas que ficaram verdadeiramente conhecidas a partir da Internet. E foi o Myspace e o file sharing que os levou a palcos generosos (Astoria e uma das prinicpais tendas do festival Reading/Leeds) mesmo antes de terem lançado o primeiro álbum de originais.
“Whatever People Say I am…” foi lançado em Janeiro de 2006 e tornou-se no álbum de estreia mais vendido de sempre na semana de lançamento em Inglaterra, com 360 mil cópias. O álbum seguinte, “Favorite Worst Nightmare” também seguiu o mesmo caminho, mas com uma ligeira mudança de sonoridade, para algo mais rápido e pesado. Nestes dois primeiros álbuns os AM cantavam sobre os problemas de adolescentes e faziam músicas que ficavam bem no dancefloor. Agora não.
O aviso já tinha sido lançado em "505”, a ultima faixa do segundo álbum e possivelmente uma das melhores já feitas pelos Monkeys. Muitos fãs estranharam, mas poucos imaginaram que essa seria uma sonoridade calma e instrispectiva que dominaria o álbum seguinte.
Produzido por Josh Homme no Rancho de La Luna (no fim do mundo californiano) e James Ford em Nova Iorque, “Humbug” levou os rapazes ao negrume que tanto desejaram, reclamando influências não só do pós-punk, do acid e stoner rock mas também do indie pop/rock caracteristico dos Last Shadow Puppets, desligando-se em parte do som que lhes deu a fama e os levou aos palcos do mundo inteiro.
Para quem já segue os Arctic Monkeys desde o inicio da carreira, tudo é estranho, tudo é diferente - Eles cresceram, e muito, de tal maneira que abandonaram as musicas punk em formato confissão pós adolescência para cantarem sobre as pequenas histórias da vida, num estilo seguido, entre muitos, por Morrisey e Jarvis Cocker. Nenhuma faixa é imediata e se não fosse a voz de Alex Turner, nem diríamos que pertencia à banda que nos deu “I Bet you look good on the dancefloor”. As guitarras são sinistras, fugindo à explosão de energia que caracterizaram os trabalhos anteriores, e os detalhes bem trabalhos, desde os coros até aos teclados, exigindo obrigatoriamente mais que uma simples audição.
Não podemos dizer que este é o melhor álbum, já que todos são bons dentro do seu género. Mas certamente todos recordarão “Humbug” como sendo o álbum que marcou a entrada na idade adulta e aumentou a abrangência do som da banda deslocando-se definitivamente da sonoridade anterior (o que é complicado para muitos grupos) e deixando em aberto uma enorme lista de possibilidades. Electrónica à la Bloc Party? New Prog com guitarradas indie? Só o futuro o dirá.
Os rapazes de Sheffield passaram com distinção na difícil prova do terceiro álbum e este certamente será um dos que vai figurar na lista dos melhores do ano, juntamente com os igualmente difíceis terceiros albuns “Tonight” (Franz Ferdinand) e “Its Blitz” (Yeah Yeah Yeahs). Mas esperemos até Novembro para ter a certeza…
Nota: 4/5

