Matthew Bellamy é um homem único. Paranóico, pensa nas galinhas mortas para fazer uma sandes e no momento apocalíptico em que vai ter de utilizar as 50 latas de feijões e o machado, comprados certamente num momento de loucura.
The Resistance é um espelho desse tipo de momentos. Concebido como um álbum conceptual sobre o fim do mundo e a colonização espacial, é o espelho de um tipo de banda, que, em pleno séc. XXI, só encontramos nos Muse. Eles queriam fazer algo espantosos. E de facto fizeram.
A primeira parte, por muita qualidade instrumental e lirica que tenha, é, sem margem para dúvidas, um pouco “pirosa”. Se excluirmos “Uprising”, que nos faz lembrar o tema do muito espacial “Dr.Who”, toda ela está envolta numa névoa Classic Rock FM, cheia de riffs que nos remetem para uns Zepellin melosos ou Queen no seu melhor, sempre com as cordas e teclas de fundo. Exemplos: “United States of Eurasia” tem coros à la Bohemian Rhapsody e Undisclosed Desires tem uma batida irritante que nos faz perguntar se o Timbaland não participou secretamente na produção da faixa.
A segunda parte faz valer o álbum por inteiro. Aí já ecoam os bons velhos Muse como gostamos deles, ou seja, explosivos qb. “Unnatural Selection” e “MK Ultra” são espantosas, reminiscentes da época dourada de Origin of Symetry e Absolution. “I Belong To You (+Mon Coeur S'Ouvre A Ta Voix)' é piano jazz, é divertida, é pop, é uma lembrança, em certos momentos, dos tempos da chanson française e possivelmente a melhor faixa (simples) de “The Resistance
“Exogenesis”, a sinfonia dividida em três partes, de que toda a gente fala, é possivelmente o melhor clímax que poderíamos encontrar para um álbum dos Muse. E sem querer estar a soar a exagero, é o clímax de toda a carreira dos Muse. Um peça ambiciosa, construída ao longo dos últimos anos, que faz a ponte entre a música erudita e popular, lembrando-nos não só os compositores clássicos, mas também a modernidade de grupos como Radiohead, expressos nos vocais de Matthew Bellamy,
The Resistance é o resumo de dez anos de trabalho. Junta os riffs hard-rock de Showbizz e Origin of Symettry, o piano dramático de Absolution e as melodias catchy de Black Holes and Revelations. Encontramos tudo isso, em “The Resistance”. Os Muse esgotaram todos os seus truques? Sim. Qual é a nova direcção a tomar? Ninguém sabe. Serão ainda capazes de surpreender os seus ouvintes? De certeza! E com sorte, ainda vamos ouvir osbarulho do autoclismo no próximo album. E um Lado B com a colaboração que fizeram com o Mike Skinner
Nota: 4/5

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