Escrever sobre uma banda “nova” é uma tarefa ingrata. Por um lado não temos uma linha orientadora, não sabemos se melhoraram ou pioraram ou se estagnaram ou inovaram. Por outro lado podemos destrui-la ou aclama-la em meia dúzia de frases, o que de facto torna as coisa simples, muito simples.
Os The XX, provenientes do Sul de Londres (berço de géneros underground como o Dubstep) têm como referências os grupos R&B e hip-hop que povoaram os tops durante a sua adolescência que agora está a terminar (todos têm 20 anos). R&B e hip-hop…
Sim, as referências estão lá e notam-se. Mas não passam de referências… Toda a musica que eles fazem é pensada para ambientes intimistas, para ser ouvida a um canto, no escuro. O baixo, a batida, a guitarra e os sintetizadores (utilizados de uma forma muito simples ou pelo menos assim soam) ganham um espaço notável, tendo em conta a música que se faz hoje em dia, servindo de banda sonora perfeita às histórias de amor personificadas pels vozes, dando a sensação que temos dois amantes a cantarem-nos ao ouvido, num registo calmo, que se mantém até ao final do álbum.
Não havendo nenhuma faixa que se destaque num todo e assumindo tais referências, que são quase um tabu hoje em dia na comunidade dita “alternativa”, os XX arriscaram. E muito. Eles poderiam ser destruídos antes de se ter ouvido uma única faixa da sua autoria. Mas depois de apenas uma audição do disco de estreia, produzido pela própria banda, temos a certeza que eles têm um futuro (muito) risonho pela frente. Eles provam que não é preciso serem algo espectacular (a todos os níveis) para fazerem boa música. Basta gosto e criatividade. As críticas menos simpáticas podem dizer que é repetitivo e chato, ficando morto logo após as duas primeiras músicas. Mas o “repetitivo” e “chato” nunca souberam tão bem.
Nota: 4.5/5

Parabéns pelas tuas reviews, muito boas...
ResponderEliminargrande albúm este , o minimalismo é brilhante ..
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